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Animais atingidos por incêndios na Reserva Natural Sesc Pantanal são destinados à recomposição do acervo do Museu Nacional

21/12/2021
Fonte: Sesc Pantanal
Foto: Equipe Sesc Pantanal

Sesc Pantanal e Museu Nacional têm em comum histórico com incêndio e trabalho de recuperação

Exemplares de animais da Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN Sesc Pantanal, atingidos pelos incêndios de 2020, farão parte do novo acervo do Museu Nacional. Pesquisadores da instituição, também impactada pelo fogo em 2018, coletaram cerca de 200 carcaças de diversas espécies provenientes da RPPN Sesc Pantanal, a maior do Brasil, localizada em Barão de Melgaço (MT). O material será transportado neste sábado (18.12), via terrestre, para o Rio de Janeiro. O objetivo é que seja disponibilizado para futuras exposições e como fonte de pesquisa para cientistas de todo o mundo.

Apesar da grande perda de biodiversidade nos incêndios na RPPN Sesc Pantanal, as pesquisas realizadas sobre o impacto do fogo na fauna, apontam que todo o trabalho de prevenção e combate que a instituição promove ao longo de todo o ano desde sua criação, em 1997, fizeram a diferença com o aumento da chance de sobrevivência de muitas espécies. A velocidade de propagação do fogo na Reserva foi seis vezes menor ao se comparar com a dinâmica do fogo fora da unidade.

Considerado a maior tragédia no campo científico e cultural do nosso país, o incêndio do Museu Nacional em 2018 destruiu 90% dos 20 milhões de itens conservados. Após três anos do ocorrido, o Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive (UFRJ, Unesco e Instituto Cultural Vale) deram início à campanha de recomposição do acervo da instituição para obtenção de exemplares de animais e plantas, de fósseis e minerais, objetos etnográficos, históricos, arqueológicos e tantos outros. Museus, instituições de pesquisa, diferentes coletividades representativas da sociedade e colecionadores de todo o mundo estão convidados a fazer parte da missão.

Conforme o planejamento da Direção do Museu Nacional/UFRJ é que as 10 mil peças arrecadadas até o momento ocupem os 5,5 mil metros quadrados das quatro exposições da instituição: Histórico (mil exemplares); Universo e Vida (4,5 mil exemplares); Diversidade Cultural (2,5 mil exemplares); e Ambientes do Brasil (2 mil exemplares). Parte do novo acervo já doado pode ser conhecido pelo site www.recompoe.mn.ufrj.br.

Os professores e pesquisadores do Museu Nacional, Luiz Flamarion B. de Oliveira e João Alves de Oliveira, responsáveis pela Coleção de Mamíferos, realizam estudos na RPPN Sesc Pantanal desde 1999 e vieram coletar mais ossadas, que se juntam ao que já havia sido recolhido pelo Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS) nos meses seguintes aos incêndios de 2020. O grupo, do qual Flamarion é coordenador, realiza o estudo de avaliação do impacto do fogo sobre a fauna da RPPN.

De acordo com Flamarion, a iniciativa e necessidade de coletar o material veio a partir desta pesquisa, que já divulgou uma estimativa, com base no conjunto de espécies avaliadas, dos três animais com maior mortalidade - jacaré, queixada e macaco-prego – que somam 20 mil indivíduos atingidos na RPPN. “Diante do grande inventário feito logo após o incêndio, entendemos que poderíamos aproveitar esse material para recompor as exposições de mamíferos do Museu Nacional. Vamos tentar utilizar essa tragédia do Pantanal para trazer algum alento e para compor coleções de pesquisa”, explica.

Os incêndios de 2020 atingiram mais de 4 milhões de hectares, ou seja, 26% do Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Deste total, 100 mil hectares impactados pelo fogo encontram-se na RPPN Sesc Pantanal, que teve 93% de seus 108 mil hectares impactados em diferentes níveis.

Para a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, a coleta das ossadas representa mais um passo neste percurso de recuperação do bioma. “Foram muitas as perdas no Pantanal e lamentamos muito por isso, mas também agimos para que nada tenha sido em vão, dando início a pesquisa com o Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS), por exemplo. Agora, as ossadas de animais que morreram direta ou indiretamente pelo fogo, vão ser fonte importante de estudos e de divulgação sobre a fauna pantaneira. É uma parte do Pantanal ganhando um novo sentido no palácio que guarda a história do Brasil”, declara.

Para representar tanto a diversidade de espécies quanto a variabilidade, algumas ossadas ainda precisam ser identificadas, uma vez que foram carbonizadas, estão incompletas ou são de difícil identificação, como pequenos roedores e marsupiais (parentes de gambás).

“É muito comum que pesquisadores e alunos que frequentam os acervos precisem identificar partes das espécies por comparação e não é muito fácil obter boas amostras. Elas são importantes para os trabalhos de teses de mestrado e doutorado. Diante de uma tragédia com muitos animais mortos, tentamos aproveitar o máximo possível para ter essa representatividade, especialmente do Pantanal, que tem animais tão emblemáticos da fauna de mamíferos brasileiros, como o lobo-guará e cervos, dentre outros”, completa Flamarion.

A gerente de pesquisa e meio ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, ressalta que, além dos estudos ligados à mortalidade da fauna na Reserva, um trabalho robusto de pesquisa tem sido feito para monitorar o impacto do fogo e a recuperação da paisagem. "Hoje são duas grandes frentes de ação para acompanhar o processo de recuperação da vegetação e da fauna e é essencial realizarmos estudos de longa duração, pois a restauração natural é um processo demorado e gradual".

Memória do país

A contribuição do Museu Nacional é no sentido de armazenar um pouco da história do país, sob o ponto de vista biológico ou antropológico. Todo o material recolhido vai ser tombado, servindo para estudos científicos. Várias espécimes, dependendo do estado de conservação, farão parte da coleção expositiva, onde há uma ligação com o público que se interessa pela diversidade biológica do país e pelo impacto deste mega evento que foi o incêndio em 2020. A função da instituição é guardar a memória, caso contrário, muito seria perdido ao longo do tempo. As carcaças servirão não só como material científico, mas como documentação de um período crítico que todos esperam não se repetir.

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