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Pesquisa que avalia efeito do fogo no Pantanal conclui última etapa com queima realizada no fim da seca

08/11/2021
Fonte: Sesc Pantanal
Foto: Sesc Pantanal

Com a última queima prescrita, realizada no fim do período de seca no Pantanal, o projeto de implementação do Manejo Integrado do Fogo (MIF) no bioma concluiu as queimas controladas nas três áreas de pesquisa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A partir dos experimentos, realizados por meio da parceria entre 17 instituições sob a coordenação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), será possível subsidiar protocolos para orientar o melhor momento para implantar a técnica do MIF como prevenção a grandes incêndios no bioma, assim como estratégia de conservação, considerando os diferentes períodos e níveis de inundação existentes no Pantanal brasileiro.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o ICMBio, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Polo Socioambiental Sesc Pantanal e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso integram a pesquisa inédita realizada em três áreas: Corumbá (MS) com maior volume de inundação, Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), com inundação intermediária e Terra Indígena Kadiwéu (MS) com menor gradiente de inundação. O uso do fogo como aliado a incêndios florestais e à conservação já é utilizado em outros biomas no Brasil e em unidades de conservação dos Estados Unidos, África e Austrália.

Para avaliar o efeito do fogo em diferentes períodos, o experimento aconteceu em três momentos: em julho, com a queima precoce que antecede o período da seca; em setembro, com a queima modal no auge da seca, e em outubro, com a queima tardia no início das primeiras chuvas.

O biólogo, analista ambiental do ICMBio e coordenador do projeto, Christian Berlinck, explica que as queimas no período tardio têm tendência a formar ambientes mais heterogêneos do que as queimas no auge da seca. “As queimas precoces e tardias têm mais umidade e vegetação mais verde. Por isso, a tendência é deixar o ambiente mais heterogêneo do que a queima feita no período da seca. O que podemos já afirmar é que as queimas precoces e tardias têm tendência a ser ambientalmente mais sustentável”, disse.

A partir de agora, portanto, encerra-se a utilização do fogo, mas as equipes de pesquisa continuam em campo para as coletas de amostras da fauna, solo, vegetação, cinzas e DNA Ambiental por até 90 dias, ressalta Christian. “O que está sendo avaliado nessas comparações é a sequência de retorno das funções ecológicas para a recuperação dessas áreas”.

A gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, sinaliza que a instituição pretende colocar o MIF em prática já em 2022. “Esta é uma pesquisa pioneira e tem como objetivo gerar esse conhecimento integrado, de forma colaborativa, para que possamos trazer boas decisões e políticas públicas para o manejo no Pantanal. A RPPN Sesc Pantanal é uma das três áreas onde esse projeto está sendo desenvolvido, o que é de grande importância para podermos colaborar, com dados e informações, que serão referência para essas políticas. Assim, poderemos utilizar o fogo como aliado da conservação para melhorar o status de várias espécies, inclusive as ameaçadas de extinção”, declara.

Roda de conversa com pantaneiros

O Manejo Integrado do Fogo também busca compatibilizar as necessidades sociais e as tradições culturais com as características ecossistêmicas para a conservação da natureza. Por isso, o projeto contempla em suas ações as rodas de conversa com a comunidade, indígenas e fazendeiros que estão presentes no bioma. Depois de Barão de Melgaço, foi a vez de Poconé receber o encontro.

Para o presidente do Sindicato Rural de Poconé, Raul Santos, que participou da última roda de conversa, em Poconé, o MIF será muito importante para o Pantanal e a expectativa é para a sua aprovação pelos órgãos ambientais. “A queima fria, como a gente chamava antigamente, ou queimada de campo, sempre ocorreu, nós sempre fizemos no Pantanal e, de uns anos para cá, tem ficado complicado. Os protocolos são importantes e a abrangência de mais áreas também, pois dentro do Pantanal tem vários pantanais e alguns se deve queimar e outros não. Este é um estudo que precisa ser aprofundado e, principalmente, ouvindo a comunidade pantaneira. Então, agora vamos ver como vai ficar a parte da regulamentação”, argumenta.

Resultado da pesquisa

O Projeto de Monitoramento dos Efeitos do Fogo, que visa implementar o MIF no Pantanal, é uma grande pesquisa que envolve quatro frentes de trabalho: fauna, flora, solo, cinzas e o DNA ambiental. A finalidade é avaliar o efeito da queima controlada nas áreas. Para isso, os pesquisadores vão a campo em cada fase para coletar materiais antes e depois da queima das parcelas. Os dados de cada fase serão comparados e a previsão é que os primeiros resultados da pesquisa sejam conhecidos em 2022.

Fazem parte do projeto de implantação do MIF no Pantanal o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Ibama/Prevfogo, ICMBio/Centro de Educação Profissional, INPE, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Embrapa Pantanal, Mulheres em Ação no Pantanal, (Mupan)/GEF Terrestre, Smithsonian Institution, UFMG, UFRN, UFRJ, UnB, USP, UERJ e UFRGS.

Política Nacional

A Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei nº 11276/18, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. A instituição da Política Nacional prevê a regulamentação do uso do fogo como prática para prevenção e combate a incêndios em áreas naturais e, ainda, o uso do fogo por populações tradicionais, como quilombolas, indígenas e agricultores familiares, assim como para atividades agrossilvopastoris. A pauta agora segue para apreciação no Senado.

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